Quarta-feira, Outubro 20, 2004
"Friends will be friends,
When you're in need of love,
They give you care and attention,
Friends will be friends,
When you're through with life and all hope is lost,
Hold out your hand 'cuz friends will be friends
Right till the end."
( Queen in "Friends will be friends")
Amizade
(Flavia Lopes, outubro de 2004)
Falar a respeito dos meus amigos é algo ao mesmo tempo prazeroso e complexo. Expressar o quanto cada um engrandece a minha existência é uma verdadeira benção, porém, quem seria capaz de descrever uma extensão de si mesmo com tamanha destreza?
Amizade é um termo de que muitos fazem uso descuidadamente, transforma-se em brisa passageira. Um fogo-fátuo intenso, cegante e logo esfria como o inverno mais rigoroso.
A amizade é sacrossanta, destinada a poucos. Temos colegas, parceiros, a famosa "galera", mas amigos? Estes são os que contamos nos dedos, não apenas devido à quantidade, mas por que a mão representa o toque, o afeto, o cuidado. Toque este que é a amálgama do sentimento fraternal, o vórtice da união. Ao nos declararmos é necessário adocicar os lábios, sorver o mel de cada sílaba. É preciso conhecer a alma benquista deste ser humano que ao mesmo tempo conforta e atordoa.
É indispensável que sejamos unos e como disse São Francisco: amar, a fim de que sejamos amados. Sem esperar nada em troca além da expressão de alegria na face daqueles cujo tormento rouba o sono e dilacera a paz.
Inicio o meu post, após meses e meses afastada (por razões que comentarei em breve). O recomeço só seria verdadeiro se falasse a respeito de indivíduos (pois são únicos) iluminados, meus amigos de paz e guerra, de madrugadas insones, luares, poesia, música, ativismo. Amigos de ontem e hoje, verões calcinantes e outonos desesperadores. Amigos que, ao longo do tempo, me carregaram nos braços e me ampararam. Amigos por quem abriria mão de minha própria vida.
O último final de semana foi perfeito, estava precisando de dias assim para renovar o meu espírito!
No sábado revi a Quécia, amiga dos tempos de colégio. Fomos para um barzinho na Glória, conversamos a noite inteira sem parar.
É claro que nos telefonamos sempre, mas há meses não a via, ora por problemas pessoais, ora por falta de tempo. Ambas temos vidas bastante atribuladas.
Quando estudávamos juntas, recebi a alcunha de Filhinha e todas nós (éramos seis) a chamávamos de Mamãe, por ser mais velha. O apelido perdura até hoje, por mais que o grupo tenha se dissipado, resumindo-se a nós duas:
Quécia,
É, amiga! Nos conhecemos há doze anos, desde os idos tempos da sétima série. Quem poderia imaginar que este laço perduraria tanto? Quem? Tu e eu...
A cada reencontro percebo o quanto mudamos sem perder, contudo, a nossa essência. Os mesmos gestos, as mesmas psicoses - leia-se pirações involuntárias (risos). As gargalhadas que recuperam as forças, a lembrança do passado, tão vívida. Histórias que se transformaram em lendas...
Carregamos na bagagem mais de uma década e temos outras tantas a percorrer.
Nossa realidade mudou, viramos dos pés a cabeça, mas nos reerguemos com toda a garra, apesar das intempéries que ofuscaram o nosso caminho.
Felicidade é ter a certeza de que ainda nos sentaremos bem velhinhas, lado a lado, fazendo tricô, cozinhando para os netos - os futuros herdeiros (risos).
No domingo, ah! Outra surpresa agradabilíssima! Finalmente encontrei a minha melhor amiga. Parece estranha tal afirmativa? Sim, mas é a verdade. Nos conhecemos há cerca de um ano, temos os mesmos gostos, personalidades idênticas, a mesma forma de se expressar, até as intempéries se equiparam.
A Naty é escritora, como eu, ama o belo, e por amar a beleza, é além de sensível, extremamente habilidosa, dinâmica, compreensível, apaziguadora. Pena que moramos um tanto distantes uma da outra...
Ela veio me visitar, fez festa nos gatinhos, ouvimos música, assistimos "Irmão Urso" (Disney) e tagarelamos ininterruptamente enquanto nos empanturrávamos de chocolate (risos).
Era como se nos conhecêssemos de outras vidas, algo que ela até comentou. Foi como me senti também:
Naty,
Conhecer-te foi, sinceramente, uma das melhores coisas que já me aconteceu. Sequer consigo encontrar as palavras corretas para expressar o quanto te admiro. Minha melhor amiga, companheira, sensitiva, escritora talentosíssima (hei de ver as suas crônicas publicadas algum dia), kardecista, vegetariana, amante da vida como um todo, humana em letras garrafais, carinhosa, bem-humorada, culta, inteligente... Se narrar todas as suas qualidades terei que escrever dois posts!
Combinamos em tudo, ao desabafarmos é como se estivesse falando comigo mesma.
Dissemos anteriormente que os anjos conspiram a nosso favor, mas creio que a afirmativa vai além. Os espíritos entrelaçaram este vínculo desde os primórdios dos tempos.
No futuro, contaremos aos nossos filhos e netos a história desta amizade tão intensa e nos regozijaremos ao perceber que estávamos certas. Nada terreno ou astral seria capaz de nos dissociar.
Adoro-te, bem sabe! Obrigada por tudo...
Em tempo! Gostaria de fazer um adendo para todos os que, porventura, lerem este meu ensaio-crônica.
Lembrem-se de "If tomorrow never comes" (Renato Russo a regravou em "Stonewall celebration concert" modificando ligeiramente a letra):
"'Cause I have lost loved ones in my life,
Who never knew how much I loved them
Now I live with the regret
That my true feelings for them
Never were revealed
So I made a promise to myself
To say each day how much they mean to me
And avoid that circumstance
Where there's no second chance
To tell them how I feel"
Jamais se esquivem. Amizades extinguem-se por falta de cuidado e afeição.
Lembrem-se de tudo o que a vida já lhes ofertou e o tanto que lhes foi roubado, ou pela má sorte do destino ou por nos trancafiarmos a sete chaves.
Olhem nos olhos, não desviem a fronte. Desnudem-se, sejam verdadeiros em cada sentença, ou se não for possível (afinal há momentos em que seria impossível expor-se tão impetuosamente), sejam fiéis aos seus princípios.
No final das contas, só colhemos frutos quando os plantamos. E plantar não significa ter uma vida regrada, carreira, negócios, contas bancárias. Estabilidade representa amadurecimento, integridade espiritual, desapego a artefatos de pouca valia e integração total e completa com todos os que fazem parte da nossa existência e que, sem os quais, sequer existiríamos.
"Passeando pela cidade destruída,
Bombas foram lançadas
E tudo reduzido a pó,
Na praça aberta
Sou o colar de livres pensamentos,
Quem quer comprar o jornal de ontem
Com notícias de anteontem?"
(Barão Vermelho in "Fúria e Folia")
Sob o signo de Gêmeos
(Flavia Lopes, outubro de 2004)
Dizem que os geminianos são duas caras,
Cínicos, egocêntricos, ardilosos,
Um lado terno e dócil, o outro, perverso -
Matilhas à espreita, assim crêem.
Dizei-me agora o que é falsidade,
Dissimular tão somente para ferir outrem?
O pícaro, que a todos espezinha?
Não! Escondo dos covardes o meu íntimo!
Megalomania? Quando alguém assim faria
Das tripas coração, prostrando-se
Com os joelhos nus ao frio solo calcinado,
Rogando, Senhor: Olhe teus filhos!
Quem abriria mão de seu conforto,
Beleza, amor, carreira, idílios dispersos, ar?
Quem, como eu, se envolve tanto?
Ferida até o âmago deste meu corpo lívido.
Sim, nasci sob o signo de gêmeos,
Ascendente em libra, lua em capricórnio...
Nada me descreve ou estigmatiza!
Humana, acima de tudo, mulher, guerreira.
Sensibilidade indescritível, torpor, intuito!
Concedei-me o verso derradeiro!
Deixai que compreendam a penosa tarefa
Recebida! Escutem o meu relato!
O lirismo assim me afeiçoou -
Branda e selvática, fiel e intensa, crítica -
Libertina entre quatro paredes,
Solidária por amor à vida, sem restrições.
Almejo o mar, o crepúsculo, o luar insano,
A lei exonerada em cada etnia -
Liberdade de expressão, o prélio sem fim,
Acreditar na justiça dos homens.
Porém, cá estamos, sem remorsos,
Sobrevivendo a tísica dissensão social -
Cada um distante, enaltecendo a si,
Todos vasculhando um abrigo efêmero!
Sim, pendemos entre a benevolência
E contas bancárias, faturamentos, poder.
Professo o meu desprezo umbilical:
Sou espectro, carícia, andarilha, lúbrica!
Deuses da terra, lhes dedico a elegia,
Ora impiedosa como os silfos, ora bela,
Revelando a amálgama deste pulso!
Batismo: Flavia Lopes; legado: poesia
"Gemini, gemini, geminiano,
Este ano vai ser o seu ano afinal,
Ou senão, o Destino não quis"
(Chico Buarque in "Sentimental")
Flavia Lopes,
extirpado às 12:43 AM
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Refuge of a Poetic Damsel (meu outro
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Hoje estou:

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TYPE
Identificação: Flavia Lopes
Alcunhas: Flavinha,
Milady, Padawan, Flavíssima
Gênese: 24/05/1978
Habitat: Rio de
Janeiro, RJ
Essência:
Carioca
Mapa Astral:
Sol: Gêmeos
Ascendente: Libra
Lua: Capricórnio
FRIENDS WILL BE
FRIENDS
Fiéis escudeiros: Paty, Flavinho, Raph, Léo, Lucas Marcelo &
Dandy
HEAD OVER
HEELS
Paixão Futebolista: Vasco da Gama
Boleiros: Ademir Menezes, Nilton Santos, Garrincha, Bellini,
Heleno de Freitas, Augusto, Orlando Lelé, Roberto
Dinamite, Juninho Pernambucano
Adrenalina: Escaladas, trilhas, boxe tailandês
Refúgios: MNBA,
Floresta da Tijuca, Biblioteca da Estado, Parque Lage, Joatinga,
Prainha
A SAUCEFUL OF
SECRET
Comida: Oriental & árabe
Bebidas:
Matte, Coca-light, Vodka russa e polonesa
Cores: Azul, bege,
branco e roxo e preto
Odeio: Mentiras,
falsidade, intrigas, americanismo e repressão
Amo: Gargalhadas
repentinas, ativismo, exaustão, desejo, insônias poéticas, sentidos
apurados
Infusão Cinéfila:
"Asas do Desejo" (Wim Wenders)
"Os Sete Samurais" (Akira Kurosawa)
"Nenhum a Menos" (Zhang Yi-mou)
"Dr. Fantástico" (Stanley Kubrick)
"Monty Python em Busca do Cálice Sagrado"
(Terry Gilliam)
"Carne Trêmula" (Pedro Almodóvar)
"Terra e Liberdade" (Ken Loach)
"A Princesa e o Guerreiro" (Tom Tykwer)
ISOLATION
Livros: Servidão
Humana, W. S. Maugham
Os Três Mosqueteiros, Alexandre Dumas
Cem anos de solidão, Gabriel García Márquez
Poetas: Bandeira,
Lorca, Maiakóvski, Murilo Mendes, Florbela Espanca, Alphonsus de
Guimaraens, Fagundes Varela, Pablo Neruda, Bertold Brecht, Pushkin,
Herman Hesse, Borges, E.E. Cummings...tantos!
Escritores: Clarice
Lispector, Gabriel García Márquez, W. Sommerset Maugham, Alexandre
Dumas, Dostoyevski, José de Alencar, Miguel Piñero, Rachel de
Queiroz.
Compositores: Chico
Buarque, Carlos Lyra, Toquinho
Bandas: Queen,
Joy Division, The Smiths, Buzzcocks, Dire Straits, Supertramp, Cordel
do Fogo Encantado, Ska-P, Pink
Floyd, The Doors, Bauhaus, The Clash, Men at Work, Midnight Oil,
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