Sábado, Maio 08, 2004

"Escuta, eu não quero contar-te meu desejo;
Quero apenas contar-te minha ternura;
Ah se em troca de tanta felicidade que me dás;
Eu te pudesse repor;
- Eu te soubesse repor -;
No coração despedaçado;
As mais puras alegrias de tua infância!"

( Manoel Bandeira in "O impossível carinho")


Calcanhar de Aquiles

(Flavia Lopes, Maio de 2004)


Uma simples palavra bem colocada ou elogio podem desmontar o mais forte dos seres. Aprendi a máxima ao longo do tempo ainda que a mesma me incomode e não se aplique ao meu ponto de vista. Creio que todos possuímos o nosso calcanhar de Aquiles.
Para alguns, é a exaltação de beleza física, para outros, a inteligência. Há os que se desarticulam com uma declaração de amor ou ao identificar-se com alguém.
Muda-se a o tópico - do mais fútil ao mais verdadeiramente humano - faço parte do segundo grupo, no entanto meu ponto fraco é outro...
Jamais me encantei por me julgarem atraente, muito pelo contrário. Ao invés de colocar minha auto-estima em ponto de ebulição apenas trazia a certeza de que não me conheciam realmente. Não sou feita de matéria bruta, talhada.
É necessário perceber o que há por detrás da aparência ou poema. Nossa língua é densa, prolixa, musical. Mas e o indivíduo que gerou tal crônica ou verso? Como estava se sentindo? Transmitimos a beleza através da idéia, do incentivo visual, falado ou escrito, no entanto, se nos aprofundarmos, veremos que a alma está ali, estampada, presente, desnuda em cada sentença, estrofe ou parágrafo.
Meu calcanhar de Aquiles? O AMOR pela vida como um todo.
Não me canso de exaltar meus amigos exatamente por isto, mas não poderia dizer que é o meu ponto fraco e sim, o meu eu verdadeiro, que poucos conhecem.
Amar a vida significa respeitar a individualidade de cada ser. Compreender que sentem dor, sofrem, desesperam-se, alegram-se, discutem, vociferam, perdem o controle, irritam - como todos nós.
Amar a vida significa não ver diferença na cor da pele ou credo escolhido, não fazer distinção entre humanos e não-humanos - afinal, a ciência classifica todas as espécies de acordo com a inteligência, destacando os seres mais aptos a sobreviver. Ainda que estejamos no topo da cadeia alimentar, somos também animais, sujeitos a instintos cravados em nosso âmago desde o princípio da evolução.
Emociona-me ao observar o amor de uma mãe pelo seu filho, ou de um animal por sua cria. Ao ser agraciada por demonstrações de carinho por entes, amigos, desconhecidos e os meus companheiros felinos. Ao perceber que, apesar de tudo, em uma sociedade calcinada e tragada pelo ódio, a inveja e a insensibilidade gradativa, há os que se importam e lutam por justiça, igualdade de direitos.
Há os que dedicam a própria vida a uma causa nobre e se necessário fosse, morreriam a fim de impedir um ato de crueldade e violência.
Há os que dão forma e vida às palavras e as talham com tamanha beleza que o mais insensível dos homens sentiria o impacto. Há os que se aprimoram nas mais variadas artes: cênicas, plásticas, mambembes, cinematográficas, esportivas, musicais, exóticas, fictícias, sensitivas, sociais, ambientalistas... não importa a carreira - humanas, exatas ou biomédicas - o que está em jogo é o amor e a crença, a certeza de que a beleza real supera e engole a barbárie.

"Não acabarão com o amor,
nem as rugas,
nem a distância.
Está provado,
pensado,
verificado.
Aqui levanto solene
minha estrofe de mil dedos
e faço o juramento:
Amo
firme,
fiel
e verdadeiramente."

(Manoel Bandeira in "Dedução")

Almejos cíclicos

(Flavia Lopes, maio de 2004)


Beber um cálice de vinho tinto,
Subir na árvore mais frondosa
E equilibrar-se nos galhos.

Cantar reinventando a voz,
Atravessar a rua com cautela,
Tomar um sorvete de pistache.

Desafiar injustiças face a face,
Guiar uma escalada deliciosa
E redigir poemas no cume.

Solucionar algum mistério,
Dizer o que se pensa, conter
O desdém de línguas afiadas.

Reviver cenas inesquecíveis,
Selar brigas com um beijo,
Munir-se de versos e lira.

Ter ojeriza a guerras frias,
Lutar com garras selváticas,
Proibir a degradação da fala.

Amar sem descatacterizar-se,
Resistir sem fragmentar-se,
Viver sem bestializar-se.

Fazer, tatear, construir,
Mergulhar na idéia vívida
E sorver a essência humana.

Meias-palavras

(Flavia Lopes, maio de 2004)


Palavras roubadas, convexas,
Sardônicas, graves, brutas,
Palavras descartadas, etílicas,
Jogadas ao vento, eróticas,
Palavras ressentidas, vorazes,
Contritas, silentes, ásperas,
Palavras em demasia, torpes,
Ilícitas, sonsas, cúmplices,
Palavras sem nexo, fictícias,
Atemporais, ferinas, cruas,
Palavras sorrateiras, densas,
Rítmicas, sensuais, cegas,
Palavras fora de tom, ébrias,
Roucas, ardentes, líricas,
Palavras libertas, errantes,
Antiéticas, fatais, ternas,
Palavras mudas, concisas,
Dóceis, literais, híbridas,
Palavras rasgadas, ácidas,
Místicas, tórridas, belas,
Palavras extintas, fugazes,
Improvisadas, poéticas,
Palavras sem fundamento,
Apaixonadas, exóticas,
Palavras em prol do amor,
Delineadas, resistentes,
Palavras em meio à guerra
Altruístas, reinventadas,
Palavras de apoio, idôneas,
Saudosistas, canhestras,
Palavras censuradas, nuas,
Reais, ásperas, críticas,
Minhas palavras em transe
Neste bloco de versos.

"Love the earth and sun and animals,
Despise riches, give alms to everyone that asks,
Stand up for the stupid and crazy,
Devote your income and labor to others ...
And your very flesh shall be a great poem."

(Walt Whitman)


Flavia Lopes, extirpado às 7:31 PM








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